• Dra Karolina Frauzino

Dúvida de consultório: Espuma substitui a cirurgia para safenas?


A resposta é um grande:


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Para contextualizar, hoje temos no Brasil 5 tratamentos disponíveis para quem tem refluxo de veias safenas: radiofrequência, endolaser, cirurgia convencional, ablação mecanoquímica e escleroterapia com espuma.


Hoje, as diretrizes que regem nossa especialidade orientam como primeira escolha para o tratamento das veias safenas as técnicas termoablativas - radiofrequência e endolaser - por características: alta eficácia com menor agressão.


A Diretriz Europeia orienta que as outras técnicas de tratamento de veias safenas devem ser feitas em caso de indisponibilidade das técnicas padrão-ouro citadas acima.


Agora, para entender as diferenças entre a espuma e a cirurgia clássica de retirada de veia safena, precisamos entender algumas características que compõem cada uma dessas duas técnicas.


Vamos à cirurgia:


Para fazer a cirurgia, o paciente, após um preparo prévio, interna em um hospital, se submete à raquianestesia e tem as safenas retiradas por meio de duas incisões - uma na virilha e uma no tornozelo. Após a recuperação da anestesia, a alta é feita 12 a 24h após e o paciente termina a recuperação gradual em casa. Mais detalhes da cirurgia, você vê clicando aqui.



Vamos à escleroterapia com espuma:


A escleroterapia com espuma é uma técnica não invasiva de tratamento de varizes em que é injetada dentro da veia uma solução em forma de espuma que vai provocar uma reação química dentro da veia com o objetivo final de reduzir seu calibre progressivamente até o completo fechamento da veia doente. Em bom português, a espuma vai "colar", "secar", "fibrosar" a veia doente, tirando ela da circulação.


Após o tratamento, somente as veias "funcionais" são deixadas, e o resultado final é a melhora da circulação de retorno e dos sintomas relacionados.


Para a espuma, lá vão algumas características, entre vantagens e desvantagens, que devem ser conhecidas.


Primeira característica da escleroterapia com espuma: não precisa de internação


O procedimento é feito no consultório e, diferentemente da cirurgia, o paciente vai embora logo após o procedimento, sem a necessidade de repouso.


Segunda característica da escleroterapia com espuma: tratamento é prolongado


A quantidade de solução espuma para se utilizar de uma vez é limitada. Acima de uma quantidade, passa a ser tóxica e ter risco de complicações.

Dessa forma, a depender da quantidade de veias, você vai precisar de mais sessões com o intervalo mínimo de 15 dias a 1 mês entre cada sessão.


Terceira característica da escleroterapia com espuma: meia compressiva é obrigatória


O que gente faz quando quer colar algo? A gente coloca a cole e aperta, certo? Se não apertarmos pode até funcionar, porém a chance é menor, certo? Também aqui. E a forma de apertarmos o local é com o uso da meia compressiva, que diferentemente da cirurgia, é fundamental para o resultado.

No início inclusive usamos meias elásticas de alta compressão e uso continuado - até pra dormir.


Quarta característica da escleroterapia com espuma: a "cola" pode não funcionar de primeira


Um resultado possível após a sessão de espuma numa determinada veia é que o fechamento da veia tratada não tenha ocorrido completamente e haja necessidade de mais de uma sessão para fechar aquela veia completamente.

Isso acontece quanto mais calibrosa e mais próxima de uma veia profunda for a veia.


Quinta característica da escleroterapia com espuma: a "cola" pode não durar para sempre


Essa é uma das principais características desse tratamento: a necessidade de se fazer manutenção após alguns anos.

Após alguns anos, pode acontece o que chamamos de recanalização: o sangue volta a passar pela veia tratada.


Sexta característica da escleroterapia com espuma: não é um tratamento estético


O uso da espuma provoca reação inflamatório na veia que pode alcançar a pele e pigmentá-la uma coloração acastanhada - isso acontece de 10-30% . Essa pigmentação na maioria das vezes não é permanente, porém pode demorar alguns meses a ano para clarear.


Agora vocês entendem quando falamos que o tratamento deve ser individualizado, né?


 


Dra Karolina Frauzino é Médica Angiologista em Brasília-DF, com foco no tratamento de doenças venosas, como trombose e varizes. É membro efetivo da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular e possui Título de Especialista em Cirurgia Vascular pela AMB.