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  • Foto do escritorDra Karolina Frauzino

Minimizando o risco de embolia pulmonar na trombose

Atualizado: 13 de mai.



Imagina só:


Não bastasse de uma hora para outra você receber a notícia de que há um vaso sanguíneo entupido na sua perna

Não bastasse saber que o tratamento dessa condição pode durar 3, meses, 1 ano ou até mesmo a vida toda

Não bastasse o vascular dizer que não sabe o que foi que causou a sua trombose


Para completar, você ainda tem que conviver com dois outros riscos que possivelmente nunca ouvira falar e que podem te matar: embolia pulmonar e síndrome pós-trombótica.


É para arrancar os cabelos, né?!





Pois então, o artigo de hoje foi feito para explicar um pouco o que sobre essas duas complicações e te atualizar sobre o que temos de informação hoje para minimizar a chance de elas acontecerem.


A temida Embolia pulmonar


Todos já viram um coágulo na vida, certo?

As mulheres então... pelo menos uma vez por mês.


Com isso em mente, vou fazer uma analogia para que vocês entendam o que acontece na trombose e na embolia pulmonar.


Logo que a gente sofre um corte na pele, o sistema da coagulação entra em ação para parar o sangramento.

Nas primeiras horas, o sangue líquido se coagula e adquire um aspecto gelatinoso, frágil e facilmente fragmentável. Esse é a primeira fase do coágulo.

Após alguns dias, esse coágulo gelatinoso vai se secando e a gente vê a formação daquelas casquinha do machucado. Essa é a primeira fase da cicatriz do coágulo.

Alguns meses depois, a cicatriz vai se modificando até a cura final daquele corte.


Esse é o mesmo processo que acontece na trombose, porém essa primeira fase do coágulo, em que ele está gelatinoso, frágil e facilmente fragmentável, permanece por aproximadamente 30 dias, na chamada fase aguda da doença.


Essa é a fase em que há o risco da embolia pulmonar.


Todos já leram que embolia pulmonar acontece quando um fragmento do trombo entope a circulação pulmonar, mas pouca gente entende como realmente isso acontece.


Para você entender, imagine que esse coágulo gelatinoso dentro de uma veia possui 20-30cm de extensão. Se ele se fragmenta, um pedaço desse coágulo é jogado na circulação e vai parar obrigatoriamente na circulação pulmonar.


Dependendo do tamanho do fragmento, ele pode entupir uma artéria pequena ou mesmo uma artéria grande que irriga o pulmão.


Quando a circulação da perna entope, a função da perna fica prejudicada, que é andar sem dor.

Quando a circulação do pulmão entope, a função do pulmão fica prejudicada, que é respirar.


E os sintomas que vão surgir disso são aparecimento súbito de:

  • dor ao inspirar,

  • falta de ar,

  • tosse com sangue

  • desmaio, se a falta de oxigênio for grande a ponto de faltar oxigênio subitamente ao cérebro

  • em alguns casos, quando o pedaço do coágulo desprendido foi pequenino, pode nem haver sintomas


- E como minimizar os riscos de embolia pulmonar?


É aí que entra o papel importantíssimo dos estudos científicos.


Apesar dos inúmeros fatores já estudados - ficar em repouso, colocar as pernas pra cima, caminhar, usar meias compressivas - nenhum desses foi capaz de minimizar o risco de embolia pulmonar.


O único fator protetor para acontecimento de embolia pulmonar foi:


USAR ANTICOAGULANTE


O risco de se ter embolia pulmonar gira em torno de 30% e o uso de anticoagulante é capaz de reduzir 80% de chance de se ter essa complicação já nos primeiros dias.


É certo que temos inúmeros anticoagulantes diferentes, mas não há estudo comprovando maior ou menor efeito protetivo de um medicamento em detrimento a outro.


- E o que podemos tirar disso?


Em uma única frase: DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO PRECOCE!


Em outras palavras, é procurar o médico precocemente em qualquer suspeita de trombose venosa e começar seu tratamento mais rápido possível que vai proteger a sua vida nesse primeiro mês da doença.



Viagem de avião


Um outro ponto importante para minimizar o risco de embolia pulmonar é saber que estudos científicos comprovaram a relação causal entre embolia pulmonar e viagem de avião.


Acontece que o ar mais rarefeito da cabine do avião altera a composição e hemodinâmica do sangue e por si só propicia o desprendimento de um fragmento do coágulo formado.


Isso pode acontecer durante o vôo ou até mesmo alguns dias após a viagem, independente da duração do vôo.


- Qual é limite de tempos isso pode acontecer? Não sei.


Porém há outro detalhe que sabemos: em pessoas que já têm embolia pulmonar (algumas delas nem sabem), viajar nos primeiros dias ou semanas da doença pode causar uma alteração com enfraquecimento do bombeamento do coração.


Por esse motivo, não é recomendado viajar de avião na fase aguda da trombose venosa com objetivo de minimizar o risco de embolia pulmonar.


Bom, é isso!

Espero ter ajudado vocês.

 

Dra Karolina Frauzino é médica angiologista em Brasília, dedicada ao tratamento de doenças venosas, como trombose e varizes. Possui Título de Especialista em Cirurgia Vascular e é Membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular e da Sociedade Brasileira de Laser em Cirurgia.






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